Quarta, dia 23 - 3º dia - TUTTI no teatro 2 do CCBB as 12h30
Tutti
O Grupo Tutti surgiu da idéia de se fazer um tipo de música que englobasse tanto o Jazz quanto a música erudita. Embora aparentemente díspares esses estilos têm muitos pontos em comum. A improvisação, por exemplo, que é uma característica do Jazz, durante séculos fez parte da música erudita, pois na época de Bach e também na de Mozart todas as cadências dos concertos eram improvisadas pelos solistas, prática que só começou a perder terreno por volta de 1800. Além disso, o Jazz no seu início foi fortemente influenciado pela música erudita européia, tanto na estrutura harmônica do Blues quanto na sofisticação posterior das harmonias, ouvidas pela primeira vez nas peças dos impressionistas Debussy e Ravel.
Atualmente, caminhamos cada vez mais para um processo de integração musical, onde a admiração entre grandes músicos de estilos diferentes é mútua. Leonard Bernstein ("West Side Story"), Andre Previn, George Gershwin e mesmo Stravinsky com seu "Ebony Concert" são músicos "eruditos" que tocaram ou flertaram com o Jazz, e como exemplo contrário podemos citar os irmãos Winton e Brandford Marsalis, Chick Corea e Keith Jarret, entre outros.
Um dos melhores exemplos desta combinação de estilos é a conhecida peça Suite para Flauta e Jazz Piano, de Claude Bolling, onde o compositor alterna melodias barrocas com o improvisos jazzísticos. Além desta suíte, incluída no repertório do quarteto, os músicos apresentarão peças de Granados, Bach, Chopin e outros com arranjos de Claus Ogerman, gravados por Bill Evans no CD Bill Evans Trio with Symphony Orchestra, e ainda inéditas nos palcos brasileiros. Também serão apresentados arranjos dos integrantes do grupo para peças de Bach, Cláudio Santoro e Villa-Lobos, entre outros. Com repertório sofisticado e muito pouco executado no Rio de Janeiro, o Quarteto Tutti - formado pelos músicos Ana Azevedo (piano), Daniel Garcia (sax), Lipe Portinho (contrabaixo acústico) e André Tandeta (bateria) - apresenta um show único e sem preconceitos onde a boa música prevalece.
“O grupo Tutti cria uma abordagem jazzística de obras do repertório de concerto, cujas releituras abrem espaço para o improviso instrumental. Fiquei fascinado ao ouvir minha “Canção do Porto”, que já revela a influência da estética jobiniana, desdobrar-se em belíssimos solos do saxofone de Daniel Garcia e do piano de Ana Azevedo, acompanhados por Lipe Portinho, no baixo acústico e André Tandeta, na bateria. Os arranjos, de muito bom gosto, ampliam os temas originais e destacam aspectos inauditos, com destaque para “Acalanto da rosa”, de Cláudio Santoro e o tema do Largo da Sinfonia n. 9, de Dvorak. O grupo Tutti transita com grande competência e força expressiva entre a música clássica e o jazz, naquele campo lúdico, propício às experimentações, que se convencionou chamar de “cross-over “.”
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